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Pesquisa revela que maternidade e paternidade aumentam risco de evasão universitária

Maternidade impacta permanência no ensino superior

Mais de 54% dos universitários já interromperam a graduação para cuidar dos filhos, revela estudo

Mais da metade dos estudantes de graduação brasileiros que têm filhos já precisou interromper ou abandonar temporariamente o curso para conciliar a rotina acadêmica com os cuidados familiares. O dado faz parte de um levantamento realizado por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC), que evidencia os desafios enfrentados por mães e pais universitários em todo o país.

A pesquisa aponta que 54,4% dos alunos da graduação afirmaram já ter trancado a matrícula ou desistido temporariamente dos estudos para cuidar dos filhos. Na pós-graduação, esse percentual é de 36,4%, revelando que a maternidade e a paternidade continuam sendo fatores importantes para a permanência no ensino superior.

Mães representam a maioria dos estudantes com filhos

O levantamento ouviu mais de 7,4 mil estudantes e mostra que 86,5% dos participantes são mulheres, evidenciando que as mães concentram a maior parte da responsabilidade pelos cuidados com os filhos durante a trajetória acadêmica. A idade média entre os graduandos é de 33 anos, e a maioria frequenta cursos presenciais, principalmente no período noturno.

Os dados reforçam que conciliar trabalho, estudos e maternidade ainda representa um dos maiores obstáculos para a conclusão da graduação.

Alimentação das crianças preocupa estudantes

Outro ponto destacado pela pesquisa é a dificuldade de acesso à alimentação para os filhos dos universitários.

Mais da metade dos estudantes de graduação (51%) informou que seus filhos não têm direito às refeições oferecidas pelos restaurantes universitários (RUs). Entre aqueles que possuem acesso, apenas 7,1% disseram que o benefício é gratuito. Na pós-graduação, a realidade é semelhante.

Segundo o grupo responsável pelo estudo, ampliar políticas de assistência estudantil pode contribuir para reduzir a evasão e garantir melhores condições para permanência dos estudantes nas universidades.

Vulnerabilidade financeira aumenta risco de evasão

A pesquisa também revela um cenário de fragilidade econômica entre os estudantes com filhos.

Cerca de 16,1% afirmam não possuir qualquer rendimento, enquanto 14,5% sobrevivem com até meio salário mínimo. Apenas 2,5% declararam renda superior a dez salários mínimos.

A situação financeira influencia diretamente na continuidade dos estudos e dificulta o acesso a serviços de apoio, como creches e babás.

Falta de rede de apoio dificulta permanência na universidade

O estudo mostra que 32,9% dos estudantes não contam com qualquer rede de apoio para cuidar dos filhos, enfrentando sozinhos a rotina entre família, trabalho e universidade.

Apenas 5,9% conseguem contratar babás ou cuidadores, enquanto 7,5% utilizam serviços públicos. O acesso a organizações sociais e projetos comunitários representa menos de 1% dos casos.

Os pesquisadores defendem a ampliação de políticas públicas voltadas à permanência estudantil, incluindo creches universitárias, auxílio financeiro e programas específicos para estudantes com filhos.

Estudo reforça necessidade de políticas de permanência

Os resultados apontam que a evasão universitária entre estudantes com filhos está diretamente relacionada às dificuldades financeiras, à ausência de rede de apoio e à necessidade de conciliar os cuidados familiares com a formação acadêmica.

Especialistas defendem que ampliar os programas de assistência estudantil poderá reduzir o abandono dos cursos superiores e contribuir para que mais brasileiros concluam a graduação sem precisar escolher entre a educação e os cuidados com a família.

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