Estiagem dificulta navegação e amplia importância de Itacoatiara
Estrutura terá operação 24 horas, cerca de 150 profissionais e três guindastes operacionais; 50 trabalhadores serão contratados em Itacoatiara
O píer provisório flutuante do Grupo Chibatão partiu na manhã desta quinta-feira (17) com destino a Itacoatiara, onde será instalado para atender às operações logísticas durante o período de estiagem no Amazonas. A estrutura, utilizada também em 2024, segue preparada para receber os primeiros navios já nas próximas semanas.
A partida foi acompanhada por representantes da indústria, do comércio, do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), da Receita Federal, armadores, operadores logísticos e outros integrantes da cadeia de comércio exterior. Antes da viagem, o diretor executivo do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis, apresentou a estrutura e os detalhes da operação.
“Estamos 100% preparados para navegar com o píer até Itacoatiara e iniciar o processo de ancoragem e preparação final para receber os navios a partir da próxima semana. Estamos trabalhando com novas tecnologias e novos processos de controle para melhorar a produtividade e entregar o melhor resultado para o nosso estado”, afirmou.
O píer contará com três guindastes destinados à movimentação de cargas e um equipamento de apoio, com operação planejada para funcionar 24 horas por dia e mobilizar cerca de 150 profissionais. As primeiras operações previstas são de alívio de carga e, conforme o comportamento dos rios, a estrutura estará preparada para ampliar sua atuação.
A operação também terá impacto direto na economia do município. Dos 150 profissionais previstos, 50 serão contratados em Itacoatiara, o equivalente a um em cada três trabalhadores envolvidos.
Além da mão de obra, alimentação, materiais de consumo e outros serviços necessários à operação serão adquiridos no município, ampliando a movimentação econômica gerada pela instalação do píer.
“Temos uma responsabilidade social muito grande. Parte da mão de obra será de Itacoatiara e também teremos fornecimentos realizados no município, porque temos um compromisso de contribuir com o desenvolvimento daquela cidade”, destacou Jhony.
Experiência de 2024
A estrutura que segue para Itacoatiara é a mesma utilizada durante a severa estiagem de 2024, quando movimentou quase 59 mil contêineres.
Naquele período, as restrições à navegação dificultaram a chegada de grandes embarcações até Manaus. As operações de transbordo e baldeação realizadas em Itacoatiara permitiram que cargas continuassem seguindo para a capital, contribuindo para o abastecimento de matérias-primas do Polo Industrial de Manaus e de mercadorias destinadas ao comércio.
A delegada-adjunta da Alfândega da Receita Federal em Manaus, Fernanda Printes, destacou que a experiência anterior serviu de referência para a preparação deste ano.
“A experiência de 2024 nos trouxe até aqui novamente, por ter sido tão bem-sucedida essa solução dos píeres flutuantes em Itacoatiara. A Receita Federal se alinhou às empresas privadas e aos demais órgãos para evitar a falta de suprimentos e de insumos para o Polo Industrial de Manaus”, afirmou.
Segundo Fernanda, o planejamento da Receita começou ainda em abril e incluiu reuniões com armadores e preparação dos procedimentos necessários para as operações. A presença fiscal deverá começar com a chegada do primeiro navio.
Indústria acompanha operação
Para Rildo Oliveira, conselheiro do CIEAM, a estrutura é importante para evitar que restrições na navegação voltem a afetar a produção industrial.
“A intervenção estratégica que está sendo realizada em Itacoatiara é fundamental para assegurar o fluxo logístico dos nossos contêineres até Manaus, evitando a paralisação do setor industrial. Essa operação é determinante para que a indústria mantenha sua produtividade e o estoque de insumos regularizado”, afirmou.
A analista-tributária da Receita Federal Nilzete Costa também ressaltou o impacto da estrutura sobre o abastecimento. Segundo ela, o píer contribui para manter o fluxo de matérias-primas, mercadorias, alimentos e insumos destinados ao estado, enquanto a Receita atua para garantir fiscalização, controle e segurança às operações.
Com a viagem iniciada, a próxima etapa será o posicionamento, a ancoragem e a preparação final do píer em Itacoatiara. A estrutura permanecerá disponível conforme as condições de navegabilidade e as necessidades da cadeia logística ao longo da estiagem.
Para Jhony Fidelis, o objetivo é oferecer previsibilidade ao setor produtivo. “A gente tem acompanhado a preocupação tanto da indústria quanto do comércio. Nosso objetivo é amenizar os impactos e, principalmente, passar confiança para o cliente, para a indústria e para o comércio.”
Depois de movimentar quase 59 mil contêineres em 2024, o píer retorna a Itacoatiara com estrutura preparada, equipes mobilizadas e participação direta da mão de obra local para novamente apoiar o fluxo de cargas do Amazonas.
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