Circo Science transforma legado de Chico Science em espetáculo
“Circo Science – do Mangue ao Picadeiro” terá duas apresentações no Teatro Américo Alvarez e mistura circo, música, dança e referências do Movimento Manguebeat
Manaus recebe nos dias 1º e 2 de outubro o espetáculo “Circo Science – do Mangue ao Picadeiro”, montagem inspirada na obra de Chico Science e na força cultural do Movimento Manguebeat. A atração será apresentada pela Trupe Circus, ligada à Escola Pernambucana de Circo, no Teatro Américo Alvarez, às 19h, com entrada gratuita.
Com patrocínio da Transpetro, por meio da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura, o espetáculo leva ao picadeiro elementos da cultura pernambucana combinados a números circenses tradicionais e contemporâneos.
A montagem presta homenagem ao impacto cultural de Chico Science e do Manguebeat e faz referência aos 30 anos do fenômeno e do álbum “Da Lama ao Caos”, primeiro disco de Chico Science & Nação Zumbi, obra que marcou a música brasileira ao aproximar ritmos regionais, guitarras, música eletrônica e diferentes manifestações urbanas.
Do Manguebeat ao picadeiro
A proposta da Trupe Circus é estabelecer uma ponte entre a geração que participou do surgimento do Movimento Manguebeat e as juventudes contemporâneas das periferias do Recife.
A produção explora como referências criadas há três décadas continuam presentes nas manifestações culturais de jovens artistas, especialmente por meio da música, da dança, do circo e de outras linguagens desenvolvidas nas periferias.
No palco, números circenses são integrados a uma dramaturgia construída a partir das identidades pernambucana, nordestina e brasileira.
A montagem também incorpora elementos de hip hop, rap, brega funk, rock, vogue e Ballroom, além de histórias e memórias relacionadas às experiências dos próprios artistas.
O espetáculo já passou por cidades como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro antes de chegar à capital amazonense.
Espetáculo aborda cultura e desigualdade social
A identidade da apresentação também está relacionada às discussões que deram origem ao Manguebeat na década de 1990, quando artistas pernambucanos passaram a utilizar a produção cultural para abordar questões sociais e, simultaneamente, destacar a diversidade artística de Pernambuco.
Segundo Fátima Pontes, produtora executiva do espetáculo, a intenção é transformar essas referências em uma espécie de manifesto apresentado no picadeiro.
“Colocamos nossos sentimentos em cena em forma de um manifesto, assim como foi o ‘Manifesto Caranguejos com Cérebro’”, afirma.
De acordo com a produtora, a montagem busca aproximar o público das discussões sobre desigualdade social e, ao mesmo tempo, evidenciar a riqueza das expressões populares que ajudaram a formar o Manguebeat.
Manaus terá oficinas gratuitas
Além das duas apresentações, a passagem do grupo por Manaus terá duas oficinas gratuitas, previstas para o dia 29 de setembro, na Escola Superior de Artes e Turismo (ESAT).
Das 14h às 18h, será realizada uma oficina de aperfeiçoamento técnico e artístico baseada nas artes circenses. A atividade é direcionada a artistas que já possuem experiência inicial em circo, teatro ou dança.
Das 19h às 21h, a programação será voltada à elaboração e gestão de projetos por meio de leis de incentivo cultural. A atividade é destinada principalmente a artistas, produtores culturais e gestores.
Trajetória do grupo
A companhia tem sua trajetória ligada a Olinda, em Pernambuco, e desenvolve trabalhos que integram circo, teatro de rua e manifestações da cultura popular.
As produções são realizadas especialmente em comunidades periféricas e territórios tradicionais, reunindo artistas circenses provenientes de diferentes comunidades.
Com atuação itinerante dentro e fora de Pernambuco, o grupo mantém parcerias com coletivos culturais de diferentes regiões do país, promovendo intercâmbio artístico e levando suas produções a novos públicos.
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