Estudo da CNI alerta para impacto econômico das mudanças climáticas no Brasil
Aquecimento global pode gerar prejuízo de R$ 5,6 bilhões ao Brasil a cada aumento de 0,1°C, alerta CNI
O avanço das mudanças climáticas pode causar impactos cada vez mais severos na economia brasileira. De acordo com um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cada aumento de 0,1°C na temperatura média global pode representar um prejuízo de até R$ 5,6 bilhões para o Brasil em decorrência dos danos provocados por desastres naturais. A estimativa integra o Guia da Indústria para Adaptação à Mudança do Clima, lançado pela entidade para orientar empresas sobre os desafios da transição para uma economia de baixo carbono.
O levantamento mostra que eventos climáticos extremos vêm se tornando mais frequentes no país. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou mais de 16 mil ocorrências, com média de aproximadamente 4 mil desastres naturais por ano. As secas responderam por cerca de 50% dos registros, enquanto enchentes, inundações e enxurradas representaram 27%, e tempestades corresponderam a 19% dos casos.
Empresas precisam investir em adaptação climática
Segundo a CNI, além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, as empresas precisam incorporar estratégias de adaptação às mudanças climáticas em seus planejamentos. O objetivo é minimizar riscos relacionados à interrupção das cadeias produtivas, ao abastecimento de água, ao fornecimento de energia e aos impactos sobre a infraestrutura industrial.
O guia também recomenda que as organizações realizem avaliações periódicas dos riscos climáticos, desenvolvam planos de contingência e adotem tecnologias capazes de aumentar a resiliência dos processos produtivos diante de eventos extremos.
Setores mais vulneráveis recebem recomendações específicas
O estudo dedica atenção especial aos setores de óleo e gás, alimentos e têxtil, considerados mais expostos aos efeitos das mudanças climáticas devido à localização geográfica das operações e à dependência de recursos naturais.
Entre as recomendações estão:
- fortalecimento da infraestrutura industrial;
- revisão dos padrões de engenharia para eventos climáticos extremos;
- investimentos em reúso e dessalinização de água;
- ampliação da agricultura regenerativa;
- conservação do solo e dos recursos hídricos;
- modernização da logística e dos sistemas de armazenamento;
- adoção de tecnologias para monitoramento climático e planejamento da produção.
Mercado de carbono amplia desafios para a indústria
Além dos impactos físicos, o documento alerta para os desafios regulatórios relacionados ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). As empresas deverão monitorar suas emissões de gases de efeito estufa e poderão precisar adquirir créditos de carbono caso ultrapassem os limites que serão estabelecidos pelo governo.
Segundo a CNI, a adaptação às novas exigências ambientais será determinante para manter a competitividade da indústria brasileira, especialmente diante das regras adotadas por mercados internacionais que exigem maior transparência ambiental nas cadeias produtivas.
Sustentabilidade passa a ser fator de competitividade
O guia destaca que consumidores, investidores e parceiros comerciais valorizam cada vez mais empresas comprometidas com práticas sustentáveis. Nesse cenário, investir em inovação, eficiência energética e gestão dos riscos climáticos pode representar não apenas uma forma de reduzir prejuízos, mas também uma oportunidade para atrair investimentos e ampliar a competitividade da indústria nacional.
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